segunda-feira, 2 de junho de 2008

AÍ VEM O ESTADO DO SÃO FRANCISCO - Parte Final

Acostumados à riqueza fácil do ouro e das pedras preciosas, não se interessaram pela imensa região de economia agropecuária. Relembra a FUNDASF que ainda como hoje, administrar se resumia em cobrar imposto para os cofres de sua majestade. Diante do abandono, D. Pedro I ofereceu em 1826 a região à Bahia, que a aceitou. Foi anexada por um ato provisório em 1827 que inercialmente vem sendo mantido até hoje. O povo do Oeste baiano, da margem do São Francisco, habitantes da antiga Comarca do mesmo nome, reclama da falta de vínculos culturais com Salvador, isso em razão de origens diversas, o que leva o povo da região a apresentar outra face cultural, com expressões também diferentes. Invocam maior vizinhança e afinidade com Goiás e Tocantins do que com a heráldica Bahia de São Salvador. O intercâmbio da região se dá mais com cidades do Tocantins, Goiânia e Brasília do que com Salvador. Alegam que não perderão tradições baianas, porque elas nunca fizeram parte de suas vidas. Localizam suas raízes na antiga Comarca do São Francisco desde as revoluções Pernambucanas. Aí sim, reside a origem de sua tradição, o berço de seu modo de ser, alimentar, morar e todas as manifestações culturais. A idéia da criação do Estado do São Francisco se escora nessas tradições, nas diferenças econômicas, porque a região sempre teve economia agropastoril, que agora ganha força com as levas de ocupação sulista com impacto poderoso na produção, mo meio ambiente e na cultura. A região sente-se debilitada pelo abandono que sua diversidade tem encontrado nos governos da Bahia. A criação do novo estado poderá abrir horizontes para sua gente. O fortalecimento da cultura regional imprescindível ao Brasil plural. Poderá redefinir objetivos e ganhar com o atual fluxo de progresso baseado na produção de frutas e grãos, seguido da industrialização, trazendo para dentro de si um governo que possa administrar o novo estado a partir de sua própria realidade, anseios e necessidades. Consultando esses breves argumentos. O povo de lá tem muito mais. Pode-se ver que a criação do Estado do São Francisco é um futuro a que não se pode fugir. Quanto mais cedo vier, mais passo terá dado o país para seu mais orgânico, igualitário e humano desenvolvimento. Pensando nisso, me veio à lembrança uma estrofe de um poema que escrevi há muito tempo: Eu vou sozinho e sou muitos/esta é a minha fortaleza/o sangue que vem de longe/no meu corpo se represa/quem vem da raça que eu venho/não pode cantar fraqueza. (...) Eu vivo é fora do tempo/no meu tempo não há pressa/nos meus mortos vejo o rio/onde o futuro começa. Diário da Manhã, 30.05.08

VEM AÍ O ESTADO DO SÃO FRANCISCO

Quem observa o mapa do Brasil pode ver, além de sua extensão continental, uma enorme disparidade em sua divisão interna. A Federação é uma colcha de retalhos disforme. Coisa que começou com as capitanias hereditárias, continuou nas províncias e se mantém nos estados republicanos. Uns, pequenos como o Sergipe; outros, gigantescos como Amazonas, Pará, Minas e Bahia. Goiás já foi assim, até que a criação do Tocantins beneficiou os dois territórios que ganharam desenvolvimento e progresso, antes impossíveis. Germinam hoje vários projetos de divisão desses estados colossais que sofrem com desigualdades internas. Com a distância de suas metrópoles. Com a mania colonialista das administrações que só olham para as regiões mais distantes e pobres para saquear, buscar produtos e impostos, enquanto sonegam estradas, escolas, saúde e o conforto da riqueza e da vida moderna. A redivisão territorial é um desafio que o país tem que enfrentar para aproximar o poder do povo, colocando nas vizinhanças de todos os cidadãos os centros de decisão. Afinal, esse povo também precisa ser ouvido. Como sucedeu com o irmão estado do Tocantins, a região do oeste baiano beirando o Velho Chico pulsa em ânsias de emancipação. Traz nos alforjes e bruacas argumentos irrefutáveis. Em primeiro lugar, o colorido cultural. Aí não é a Bahia do recôncavo, do litoral, com seu jeito malemolente de capoeira, berimbau, candomblé, do cacau e do petróleo e do axé. É o sertão de Euclides da Cunha, do vaqueiro encourado, da bravura jagunça e cangaceira, das vaquejadas, do forró, do repente, das devoções atávicas, caldeadas na mestiçagem mameluca, cafusa, barranqueira, geralista ou brejeira. Cultural e etnicamente está mais próximo do centro-oeste e do nordeste do que da doce madrasta Bahia dos trios elétricos, dos afoxés e dos terreiros. Outro argumento enraizado no tempo é o de que esta região que molha o rosto no Velho Chico, encosta as espáduas na Serra Geral de Goiás, na Serra da Tabatinga com o Piauí e a Serra dos Irmãos, até Pernambuco, nunca foi Bahia. Já nasceu sendo São Francisco. A matéria é bem conhecida e explicada pela Fundação de Integração Cultural e Cidadania do Alem São Francisco, com sede em Barreiras. No período das Capitanias hereditárias, de 10 de março de 1534 até 1824, estavam ligadas a Pernambuco. Foi desmembrada depois da revolta dos pernambucanos para criar um país na conhecida Confederação do Equador. Para enfraquecer e punir os pernambucanos que queriam deixar de ser brasileiros, formando o novo país, a região de chuvas torrenciais, rios perenes e muitas riquezas foi anexada, primeiro por D.João VI, em 1817, depois por D.Pedro I, em 1824, separaram a área de Pernambuco, anexando-a a Minas Gerais, por seus limites ao sul. (Estimado leitor, continuo na próxima semana ) Diário da Manhã de 23.05.08

domingo, 18 de maio de 2008

CELULAR PERDIDO


Como sarna, o celular alastra-se. Mais uma inquietação. Interrompe conversa. Atrapalha enterro. Assusta a missa. Apêndice incômodo. Tudo no corpo tem seu lugar: chapéu para cabeça; sapato para os pés; luvas para as mãos. Mas celular não é coisa humana. Incômodo das prestadoras que amarram o vivente em suas contas e não soltam mais. Humano não foi feito para celular. Não pode ser pendurado nas orelhas. Não é sexy. Não é viril. Mas não consegui ficar fora da besteira geral. Adquiri um. Já são três ou quatro. Estão sempre lançando novos e tornando os velhos imprestáveis. Vejam o que me aconteceu. Ia à Feira de domingo na Vila Nova. Já fui feirante. Até hoje dói uma escoliose de carregar, sobre a coluna ainda tenra, caixas de tomate, mandioca, inhames... As mais pesadas do comércio de verduras. Não sei pra que celular na feira. Só para a mulher ficar ligando e acrescentando itens na lista de compras. Olha, não esqueça o piqui, a gueroba... No meio dos esbarrões, perdi o maldito aparelho. Só dei conta quando abria as sacolas. Alisava a cintura, apalpava os bolsos. Nada. Exalou-se o intruso já feito de alguma amizade. Aflito, comecei a telefonar para o meu número. Lá pras duas da tarde, uma voz respondeu irritada: - Quer parar de me incomodar? Estou trabalhando e você não para de telefonar! Respondi humilde ao arrogante telefonista: - Amigo, você encontrou meu celular. O único jeito é chamar, não? Do outro lado, repreensões: - Escuta moço. Eu achei o seu celular. Não roubei. Não sou ladrão. Sou evangélico. Foi Deus que pôs ele no meu caminho. Só entrego se me der um dinheiro. Ponderei, diante da extorsão, que perdera o tal celular na feira, que poderia dar uma gratificação. Dissesse-me onde encontrá-lo para resgatar o miserável. Do outro lado, a voz impôs condições: - Agora não posso. Estou em Anápolis. Se quiser, posso entregar à noite, na Praça da Bíblia. Mas são cinqüenta pratas. E não precisa ficar ligando. Ás oito da noite eu te ligo pra marcar o lugar da entrega. Após o diálogo nojento me aquietei. Liguei para a prestadora e pedi o bloqueio da linha. Já tinha me esquecido da porcaria, quando o cidadão me chama, por volta de sete e meia da noite, instruindo: - Não te falei que não sou ladrão? Vou entregar seu celular. Esteja na Praça da Bíblia em dez minutos. Estou pegando o ônibus para Caldazinha. Como não sabia este endereço, pedi que ficasse no Frango Gostosão. Afinal, ali é mais claro. Saí correndo. Dez minutos... Bordejava a praça, Tânia ao volante e eu perquirindo sombras. Na luz do frango assado, Gostosão vejo uma figura curvada ao peso de um saco sujo. Gritava e gesticulava. Estou aqui. Sou o Romualdo. Estou com seu celular. Já estava íntimo. Veio sorrindo. Entreguei-lhe uma nota de cinqüenta, passou-me o aparelho e ainda me deixou uma admoestação severa: - Por que você foi bloquear a linha? Não confia em mim não? Já disse que não sou ladrão. Sou evangélico. Agradeci. Peguei o celular. E resmunguei: - Não se esqueça do dízimo do pastor!
Texto publicado no Diário da Manhã em 16.05.2008



quinta-feira, 24 de abril de 2008

PEDRO E SEU CAVALO (Parte final)

Voltando ao Cavalo de Pedro... Fosse o Cavalo de Tróia teria adentrado os arraiais e soltado seus guerreiros. Mas é o cavalo de Pedro. Sem lugar. Mas com certa elegância. Pedro sorri como se fosse ao Jóquei Clube para dançar um tango. Se ainda houvesse Jóquei. Caminhando até o Casablanca ver um filme de caubói, se houvesse Casablanca. Na serrinha, menos incômodo para a casa das esmeraldas, para a casa das campinas, longe dos poderes. Depredado, ofendido, humilhado, padecerá pichações, insultos e incêndios. Afinal, ali resta ainda um pouco de cerrado. Deveria ser um parque. Fica a Praça Cívica, com nome de Pedro. Talvez sobrevivam entre os estacionamentos, os pivetes e lavadores de carro que loteiam as ruas, as portas das igrejas, os salões de festas, os teatros. Como a gente de cima privatiza o dinheiro público, a merenda dos meninos, os remédios dos velhinhos, os buracos das estradas; a fome da ralé, os miseráveis privatizam o que podem. O monumento logo sofrerá esta ação dos reformadores sociais das ruas. Será ocupado: trouxas, carrinhos, meninas prenhes, moleques com chuços para pequenos assaltos. Goiânia já não cabe Pedro. Talvez porque tenha vindo a cavalo. Se fosse no fordinho, na camionete Chevrolet vermelha, ou mesmo pedestre andarilho, certamente poderia se esgueirar pela deserta Avenida Goiás remasterizada e nua. Poderia se escorar entre as casas derrubadas da Rua Vinte. Seria mais fácil passar despercebido sem ofender a inveja dos incapazes de gerar um sonho. Vão estragando o alheio, ciscando lixo dos outros. O Governo encarregou a artista de erigir uma estátua para ficar no vento, sem moradia. Porque ninguém atenta para um lugar onde pousar o brônzeo eqüestre, inquietante memória de Pedro. Lembram até plebiscito. A hospedagem natural seria a Praça Cívica. No coração de sua cidade. Arquitetos e paisagistas sabem como resolver problemas de espaço e ambientação. Ali, defronte o Palácio Pedro Ludovico. Bem na entrada. Não serve? É discrepante a figura com o colosso envidraçado ou os janotinhas engravatados? Então deve ser ali, canto direito da Praça Cívica. Onde o Prefeito Íris fez uma sede provisória para a administração e vai se tornando definitiva. Basta derrubar o retângulo provisório, reaparelhar a praça, incluindo ali o Monumento, como sucede em qualquer cidade. Um lugar nobre para a memória do fundador. O que não pode é Pedro ficar vagando, alma penada, sem lugar para sua figura ou pasto para seu cavalo. Medida extrema: coloquem Pedro e seu cavalo na porta da sua casinha museu. Mesmo abandonada, como anda, lembra o homem que é o único culpado por não haver lugar, na cidade que fez para sua estátua. É culpado de ter morrido pobre. Não ocupou ou praças, vales, loteamentos. Podia ter reservado umas quadras. Viveu na modesta casa à sombra de dois mognos. Por isso, não resta a Pedro senão a dura pedra. Uma porta de rua, onde amarrara o sonho, único espaço, pasto possível para amarrar, agora, seu cavalo. Publicado no Diário da Manhã do dia 25.04.2008

PEDRO E SEU CAVALO - II

Entre Silas e Caríbdis, o espeto e a brasa, o Céu e o Inferno, vagam Pedro e seu cavalo no dia incômodo e chuvoso do Cerrado. Goiânia perplexa, indaga: quem é o cavaleiro de bronze, polaina e chapéu que deseja pousio e pastejo para seu rocinante? Ninguém responde. Ou melhor, tanta gente contesta, que já não se sabe de onde vem a fala. Eco. Assim o clamor retumba de prédio em prédio, de praça em praça, em busca da palavra definitiva, misteriosa, esotérica. Onde pousar o cavalão e seu cavaleiro. Digo que na medida em que a cidade foi crescendo, depois do gesto gerador, gestador, paridor e desplacentador de Pedro e seus companheiros estadonovistas, o maior trabalho de sua gente foi exercitar o esquecimento. Aqui nada envelhece, tudo é arrasado em nome do novo. O belo edifício art dèco vai ao chão ou o cobrem de placas e luminosos. A ganância imobiliária espalhou a cidade em inumeráveis bairros, com imensos vazios reservados à especulação. Os mais pobres se escafedem por trás das grotas, dos montes, ainda que poucos e distantes. O que resta de terreno entre a população esgarça, vai virando filé da especulação. Verticaliza-se a cidade com o solo criado nas incorporações e, num lote de quatrocentos metros, se levantam edifícios de vinte andares com centenas de apartamentos, com preços nas nuvens. Vendem o solo, a rua, a paisagem que resta e o sonho que o mercado inventa. Depois a moradia dos panfletos, dos vídeos gritantes, dos anúncios de meia página, acolhe o incauto que pagará toda a vida, por umas gavetas aéreas, umas catacumbas apertadas. Tudo, talvez, para que se acostume à exígua terra que o espera, ao indiferente e impessoal jazigo dos cemitérios que brotam, a cada dia, para acolher a população silenciosa. Esses terrenos também vão às alturas. Devem ser comprados para garantir que o morto tenha digna inumação, depois lentamente enganchado em alguma UTI paga por bolso próprio ou pela viúva previdência que, que, sem servir à vida, serve bem ao mercado da morte. Sem consentimento para morrer em paz, estufa, inchado, quase podre, dos oxigênios, soros e aparelhos conservadores da carne final. É, então, agarrado, por um sinistro proselitismo de enfermeiros, serviçais e catadores de corpos em disputa, são levados às morgues, destripados, formolizados, remanufaturados, maquilados, para que tenham aquela mesma cara cerosa e isenta dos velórios. Aí, podem esperar os ritos, as velas, as flores, as missas e o desespero dos vivos, cujo temor da dor, dos deuses e da morte, simulam breve consolação. Enquanto madames puxam pelas mãos adolescentes grávidas pelos mercados, a classe média entretém o ócio nos parques, vão torturando meninas, abusando e matando meninos. Enjaulada, gente ainda capaz de alegria elege, sacolejando, a Miss Eixão navegante num esqueleto de transporte caótico que atravessa a Avenida Anhanguera rasgando insolente a antiga harmonia art-dèco. (Continuo na próxima semana.) Publicado no Diário da Manhã do dia 18.04.2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

CONGRESSO DE POESIA

Bento Gonçalves, RS, 2006

(Inédito)


O amor

Para dizer que existe, o amor
pousou em minha janela
sua asa triste.




O vendedor de facas

O poeta dispensa
a mercancia.
Amargo punhal
é a poesia.
E para descarnar
o poema
só basta a pena.



Congresso de poesia

Interromperam a função:
foram ao brechó
buscar poetas em desusoe musas de segunda mão

domingo, 13 de abril de 2008

PEDRO E SEU CAVALO

O goianiense, mesmo com o pouco apreço que tem pelos monumentos, exceção aos bustos erigidos aos seus honrados pais, tem ouvido, há anos, como as notícias da dengue, a história da estátua de Pedro Ludovico e seu cavalo. Não sei de monumentos com alguma permanência, em Goiânia. Bem, há a estátua do Bandeirante, doada aos goianos pelos estudantes do Largo do São Francisco e, que um vereador pretendia arrancar e devolver aos paulistas. Ou aquela da Praça Pedro Ludovico Teixeira, o monumento às três raças. Visão anacrônica da artista ou dos encomendeiros da obra, que não sabiam contar o número de etnias que se misturaram ou somaram na formação do goiano. O melhor seria um monumento aos construtores de Goiânia, tipo monumento às Bandeiras, de Brecheret, envolvendo todos que sangraram, gozaram, enriqueceram ou morreram pela construção da cidade. Aí, nenhum precisaria de pessoal gesto nobre. A sinergia dos burocratas de Pedro e Getúlio Vargas indissoluvelmente misturados à ralé cavadeira de buracos. Um monumento onde todos pudessem se reconhecer. Havia ali na Praça do Trabalhador um painel que a intolerância pichou e depois destruiu. A Pedra Goyana, equilibrando-se, por malabarismo da natureza na trempe lítica, como uma flor da montanha, colocada ali ainda no deslumbre do primeiro dia da criação. Uma gentinha da nata, com alqueires de álcool e estultice eliminou aquela beleza que incomodava o olho frio do mundo. Falei aqui sobre a estátua de Pedro e seu cavalo. Embora haja discussões sobre a pertinência, qualidade estética, o sofrimento da artista Neusa Moraes, o que angustia o goianiense, se isso é caso de angústia, é: onde amarrar o cavalo de Pedro? Prontamente, em meio ao aranzel do começo deste governo, que já vai ficando com cara de ocaso, a Presidente Linda Monteiro, da AGEPEL me noticiou que estava providenciando a vinda da eqüestre homenagem para Goiânia. O governo, em fim, pagara o trabalho de fundição e transporte. Estive no gabinete de Linda e pude ver a maquete de um memorial que deve acolher a estátua, no alto da Serrinha, de onde Pedro poderia continuar a mirar, morro a baixo, a extensão da cidade que sonhou com Atílio Correia Lima e outros foram puxando, recortando, num Frankstein de luz e concreto que precisa ser povoada de urgente gesto humano. Continua a polêmica sobre o melhor local para a estátua. A Praça Cívica? Mas, ali já tem o das três raças! A Serrinha, onde ainda há um pouco de cerrado? Um vereador propõe um plebiscito. Quem engendrou nutriu e pariu a estátua não tinha em mente um lugar para sua ereção Nada erótico, leitor. Talvez não acreditassem que aquela mulher frágil de rosto indígena e vontade capaz de morte conseguisse por de pé Pedro e seu cavalo. Contrariou a todos. Morreu mas contrariou. O cavalo ficou pronto. (o cronista conclui sua arenga na próxima semana.)
Publicado no Diário da Manhã dia 11.04.2008